Acompanhar indicadores já faz parte da rotina de praticamente todos os Centros de Serviços Compartilhados. Mas existe uma diferença importante entre acompanhar o que aconteceu e ter informações disponíveis com velocidade suficiente para identificar desvios e agir antes que eles se transformem em problemas.

Dados da MIA – Market Intelligence Application, plataforma de dados do IEG, mostram que 61% dos CSCs ainda realizam o monitoramento de seus indicadores sem automatização, enquanto 38% já contam com uma rotina automatizada de acompanhamento.

O dado evidencia um ponto importante para a evolução da gestão dos CSCs: o desafio já não está apenas em medir o desempenho, mas em reduzir o tempo entre o que acontece na operação, a identificação de um desvio e a tomada de decisão

Fonte: MIA – Market Intelligence Application | IEG

Monitorar não é o mesmo que antecipar

Um CSC pode possuir indicadores, dashboards e reuniões periódicas de acompanhamento e, ainda assim, atuar de maneira predominantemente reativa.

Isso acontece quando a informação é disponibilizada somente depois que determinado resultado já se consolidou.

Imagine, por exemplo, que o nível de atendimento dentro do prazo comece a apresentar uma deterioração gradual ao longo do mês. Se essa informação for identificada apenas no fechamento mensal, a liderança descobrirá o desvio depois que ele já impactou o resultado.

Agora considere uma rotina em que os dados são atualizados automaticamente e permitem acompanhar a evolução do indicador ao longo do período.

O indicador continua sendo o mesmo. O que muda é a velocidade entre o surgimento do sinal e a possibilidade de atuação. E essa velocidade pode fazer diferença na gestão.

Por que automatizar o monitoramento dos indicadores?

Quando a atualização dos indicadores depende de extrações, consolidações, tratamentos de bases e atualizações manuais, parte relevante do esforço das equipes pode ser direcionada à preparação da informação antes mesmo de a análise começar.

Além do esforço operacional envolvido, existe outro fator: o tempo.

Quanto maior o intervalo entre o acontecimento e sua identificação, menor tende a ser a janela disponível para uma atuação preventiva.

Por isso, automatizar o monitoramento não significa apenas construir um dashboard.

Significa criar condições para que as informações sejam atualizadas com uma frequência adequada à necessidade da operação e estejam disponíveis para apoiar decisões no momento certo.

Com isso, a pergunta da gestão começa a mudar.

Em vez de: “O que aconteceu no último período?”

o CSC pode avançar para: “O que está acontecendo agora e onde precisamos direcionar nossa atenção?”

Da consolidação manual à gestão orientada por exceções

A evolução do monitoramento pode ser entendida em diferentes estágios.

1. Saber o que aconteceu

Neste primeiro estágio, os indicadores são consolidados periodicamente e utilizados para avaliar resultados, metas e desvios.

É uma etapa fundamental da gestão. O ponto de atenção aparece quando a tomada de decisão permanece limitada à análise retrospectiva.

2. Saber o que está acontecendo

Com maior integração entre as fontes de dados e atualização automatizada, a liderança passa a acompanhar determinados indicadores com mais agilidade.

Em vez de esperar o fechamento de um período para identificar uma mudança, torna-se possível observá-la enquanto ela acontece.

3. Ser alertado quando algo começa a sair do esperado

O próximo passo é utilizar parâmetros, limites e alertas para direcionar a atenção das equipes. Nesse estágio, a lógica deixa de ser apenas acessar um painel para procurar possíveis problemas.] O próprio monitoramento ajuda a destacar onde existe uma exceção, mudança de comportamento ou desvio que merece investigação.

É uma evolução importante porque permite que a gestão concentre esforços no que realmente exige atuação.

4. Antecipar o que pode acontecer

Em um nível mais avançado, o histórico de dados pode ser utilizado para identificar padrões, tendências e relações capazes de apoiar projeções sobre o comportamento futuro da operação.

É nesse momento que análises preditivas, algoritmos e Inteligência Artificial podem ampliar a capacidade de antecipação.

A pergunta deixa de ser somente: “O que está acontecendo?”

e passa a incluir: “O que tende a acontecer se esse comportamento continuar?”

O que um CSC pode antecipar a partir dos indicadores?

Nem todo indicador precisa ser acompanhado em tempo real, e nem toda operação necessita do mesmo nível de atualização.

A frequência adequada depende da natureza do processo e, principalmente, da velocidade necessária para tomar uma decisão.

Algumas situações, entretanto, ilustram bem o potencial de uma gestão mais preventiva.

Nível de serviço e SLAs

Uma tendência de queda no cumprimento dos prazos pode ser identificada antes que o resultado mensal fique abaixo da meta.

Em vez de apenas explicar posteriormente por que determinado SLA não foi atingido, a liderança pode atuar sobre os fatores que estão pressionando o desempenho.

– Volume e capacidade

Oscilações relevantes na entrada de demandas podem indicar uma futura pressão sobre a capacidade operacional.

Quando volume, capacidade e produtividade são acompanhados conjuntamente, torna-se mais fácil perceber situações que podem resultar em aumento de backlog ou deterioração do nível de serviço.

– Backlog

Mais importante do que visualizar o backlog acumulado é acompanhar a velocidade com que ele está se formando.

Uma tendência persistente de crescimento pode sinalizar a necessidade de redistribuição de capacidade ou investigação de gargalos antes que o estoque alcance um nível crítico.

– Qualidade e retrabalho

O crescimento de erros, devoluções ou retrabalho pode indicar problemas de processo que ainda não se refletiram de forma relevante nos indicadores finais de produtividade e custo.

Identificar esse movimento antecipadamente permite investigar suas causas mais cedo.

Automações

Falhas, aumento de exceções ou mudanças no comportamento das automações podem gerar impactos sobre capacidade, qualidade e continuidade operacional.

Por isso, a evolução da automação também aumenta a importância de monitorar seu próprio desempenho.

– Custos e produtividade

Indicadores como custo por transação, transações por FTE e volume processado ganham mais valor quando analisados de maneira integrada.

Uma alteração isolada pode dizer pouco. Já a combinação entre diferentes movimentos ajuda a entender se existe pressão de custo, perda de produtividade ou mudança relevante na utilização da capacidade.

Mais dashboards não significam necessariamente mais inteligência

Com o avanço das ferramentas de Business Intelligence, tornou-se mais fácil disponibilizar uma grande quantidade de informações para gestores e equipes. Mas mais indicadores não significam necessariamente melhores decisões.

Um CSC pode possuir dezenas de dashboards e continuar identificando problemas somente depois que eles acontecem.

Por isso, a evolução da gestão de indicadores não deve ser medida apenas pela quantidade de KPIs ou painéis disponíveis.

Algumas perguntas são mais importantes:

  • Qual decisão esse indicador deve apoiar?
  • Com que frequência essa informação realmente precisa ser atualizada?
  • Qual comportamento deveria gerar um alerta?
  • Quem precisa atuar quando determinado desvio for identificado?
  • Existe algum indicador anterior que sinalize o problema antes do resultado final?
  • Quanto tempo existe hoje entre o surgimento de um problema e sua identificação pela gestão?

Responder a essas questões ajuda a transformar o indicador de uma ferramenta de acompanhamento em um instrumento efetivo de gestão.

Como tornar o monitoramento dos indicadores mais ágil?

A evolução não precisa começar necessariamente por modelos sofisticados de Inteligência Artificial ou análises preditivas.

Um primeiro movimento pode ser identificar quais indicadores são realmente críticos para a operação e entender todo o fluxo necessário para disponibilizá-los.

Vale avaliar:

  • de onde vêm os dados;
  • quanto esforço manual é necessário para consolidá-los;
  • com que frequência são atualizados;
  • quanto tempo existe entre o acontecimento e sua visualização;
  • quais análises ainda dependem de tratamentos manuais;
  • quais desvios poderiam gerar alertas automáticos;
  • quais decisões são tomadas a partir de cada indicador.

A partir desse diagnóstico, é possível priorizar integrações, automatizar atualizações e estruturar alertas para os indicadores em que a velocidade da informação realmente influencia a tomada de decisão.

Somente depois dessa base estar estruturada, recursos mais avançados de Analytics e Inteligência Artificial encontram condições melhores para apoiar análises preditivas.

O próximo passo da gestão de indicadores no CSC

O dado da MIA traz um retrato interessante: o monitoramento de indicadores já está disseminado entre os CSCs, mas a automatização dessa rotina ainda não é predominante.

Enquanto 61% realizam esse acompanhamento sem automatização, 38% já avançaram para uma rotina automatizada.

Isso mostra que existe uma oportunidade importante de evolução.

O objetivo não deve ser monitorar todos os indicadores em tempo real ou tentar prever todos os acontecimentos da operação.

O avanço está em compreender quais informações precisam chegar mais rápido, quais comportamentos podem sinalizar futuros desvios e onde uma atuação antecipada pode efetivamente mudar o resultado.

Porque uma gestão orientada por dados não se resume a saber o que aconteceu.

O verdadeiro ganho está em conseguir agir enquanto ainda há tempo de influenciar o que vai acontecer.

Fonte dos dados de mercado: MIA – Market Intelligence Application, IEG

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Autor

Redação IEG

O IEG é uma empresa que elabora soluções de ensino, pesquisa e consultoria em gestão de forma integrada e complementar para você e para a sua organização.

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