A retenção de profissionais continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos Centros de Serviços Compartilhados.

Com a ampliação do escopo das operações, a incorporação de novas tecnologias e a demanda crescente por competências analíticas, digitais e de relacionamento, os CSCs passaram a disputar profissionais não apenas com empresas do mesmo segmento, mas também com empresas de diferentes setores e modelos de negócio.

Fonte: IEG/MIA 2026

Dados da MIA, plataforma de dados do IEG sobre o mercado brasileiro de CSCs, mostram que essa disputa tem impacto significativo sobre as operações.

Entre os principais desafios enfrentados na retenção dos colaboradores, 74% dos respondentes apontaram a alta competição do mercado por talentos. O percentual está bastante acima do registrado pelos demais fatores avaliados e evidencia que a atração e a permanência de profissionais se tornaram questões estratégicas para os CSCs.

Um mercado com mais oportunidades para os profissionais

A elevada competitividade indica que os funcionários encontram um número crescente de oportunidades e passam a comparar não apenas salários, mas toda a experiência oferecida pelas empresas.

Remuneração, possibilidades de crescimento, flexibilidade, desenvolvimento, ambiente de trabalho e qualidade da liderança influenciam diretamente a decisão de permanecer ou buscar uma nova oportunidade.

Para os CSCs, isso significa que as estratégias de retenção precisam acompanhar a evolução das expectativas dos profissionais.

Manter talentos deixou de depender exclusivamente de estabilidade ou remuneração. As empresas precisam construir uma proposta de valor mais completa, capaz de combinar desenvolvimento, reconhecimento, mobilidade e qualidade da experiência do colaborador.

Salários e benefícios têm peso relevante

Embora a competitividade do mercado apareça com ampla vantagem, 34% dos respondentes apontaram salários e benefícios pouco atrativos como um dos principais desafios para a retenção.

O resultado mostra que a remuneração continua sendo um fator importante, especialmente em um cenário no qual profissionais qualificados recebem diferentes ofertas e têm maior acesso a informações sobre o mercado.

Isso não significa, necessariamente, que a empresa precise competir apenas por meio de salários mais elevados. A análise deve considerar o pacote total oferecido ao colaborador, incluindo remuneração variável, benefícios, flexibilidade, reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento.

Também é importante acompanhar referências de mercado e avaliar se a proposta oferecida permanece competitiva para funções consideradas críticas para a operação.

A ausência de perspectivas pode estimular a saída

A falta de um plano de carreira estruturado, mencionada por 32% dos participantes, aparece praticamente no mesmo patamar dos desafios relacionados à remuneração.

Esse resultado reforça que os profissionais buscam clareza sobre suas possibilidades de evolução dentro da organização.

Quando não existem critérios transparentes para crescimento, mobilidade ou desenvolvimento, o colaborador pode ter dificuldade para visualizar um caminho de crescimento dentro da empresa, mesmo quando está satisfeito com as atividades atuais.

Nos CSCs, esse desafio pode ser enfrentado por meio de iniciativas como:

  • definição de trilhas de carreira;
  • programas de capacitação;
  • movimentações entre processos e áreas;
  • planos de desenvolvimento individual;
  • maior proximidade entre a equipe e lideranças.

Mais do que criar cargos, o objetivo deve ser mostrar caminhos possíveis para que os profissionais ampliem conhecimentos, responsabilidades e participação na operação.

Flexibilidade também influencia

A baixa flexibilidade no modelo de trabalho foi apontada por 29% dos respondentes. Embora apareça abaixo dos demais fatores, o percentual é relevante e mostra que a forma como o trabalho é organizado também pode influenciar a retenção.

Modelos híbridos, flexibilidade de horários e maior autonomia passaram a fazer parte das expectativas de muitos profissionais. Essas práticas precisam considerar as características de cada processo, os requisitos de segurança e as necessidades da operação.

Ainda assim, os CSCs podem avaliar quais atividades permitem maior flexibilidade e como equilibrar produtividade, integração das equipes e experiência dos colaboradores.

A retenção exige uma estratégia integrada

Os dados mostram que a retenção não depende de uma única iniciativa.

A competitividade do mercado representa uma pressão externa difícil de controlar, mas salários, benefícios, carreira e flexibilidade são aspectos internos que podem ser revistos e fortalecidos pelas empresas.

Por isso, uma estratégia de retenção mais consistente deve combinar diferentes frentes:

  • acompanhamento das práticas de mercado;
  • identificação das funções com maior risco de saída;
  • escuta frequente dos colaboradores;
  • desenvolvimento das lideranças;
  • oportunidades de capacitação e mobilidade;
  • revisão da proposta de valor oferecida aos profissionais.

Também é importante compreender que nem todas as pessoas valorizam os mesmos elementos. Funcionários em diferentes momentos de carreira podem ter expectativas distintas em relação a remuneração, aprendizado, flexibilidade e crescimento.

Como o seu CSC está respondendo à disputa por talentos?

Em um mercado cada vez mais competitivo, a retenção precisa ser tratada como parte da estratégia da operação.

O desafio não está apenas em evitar desligamentos, mas em criar condições para que os profissionais desejem permanecer, desenvolver novas competências e contribuir para a evolução do CSC.

Os dados reforçam que as empresas precisam olhar simultaneamente para o mercado e para a experiência construída internamente.

Afinal, quando novas oportunidades surgem, a decisão de permanecer depende do valor que o profissional reconhece na relação com a empresa.

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Autor

Redação IEG

O IEG é uma empresa que elabora soluções de ensino, pesquisa e consultoria em gestão de forma integrada e complementar para você e para a sua organização.

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