Em um país com tantas deficiências em termos de gestão, investimentos e política pública, a carência de uma infraestrutura logística robusta e satisfatória deixa de ser uma novidade. Às vésperas de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, este artigo teve como objetivo retratar o cenário logístico brasileiro, comparando-o com referências internacionais como os Estados Unidos, a Europa e a China.

Evidencia-se o gap logístico do Brasil, que se agrava à medida que há um aumento na demanda por transporte de cargas, consequência direta da dinamiza- ção econômica. Outras regiões ao redor do mundo, por outro lado, encontram suas malhas de transporte saturadas em termos de utilização, e mesmo assim recebem investimentos relevantes em termos de representatividade. Aponta-se, portanto, para uma progressiva defasagem do país em relação à logística internacional de cargas. No entanto, diversos projetos e programas estão sendo desenvolvidos no sentido de mitigar o gap entre a oferta e a demanda brasileiras. Resta saber se estão sendo bem dimensionados frente ao expressivo crescimento das exigências logísticas do país.

Tomando-se uma análise histórica dos investimentos no setor de transporte, percebe-se que, enquanto China e Brasil aumentaram o valor investido de 2006 para 2010, na Europa houve uma redução desses investimentos, a partir de 2008. Esses números destacam o potencial de crescimento ainda existente na China e no Brasil, enquanto a Europa já apresenta malhas mais saturadas, o que faz com que o setor não seja mais um grande foco de investimentos no continente.

 

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